Corria o dia de ontem, mais um dia de férias, nesta primeira semana, em que rumei a norte.
Numa simples ida ao cinema com a família do meu namorado, para uma sessão de filme de terror, Cobwed - Segredo Maldito, nada previa que um dos espectadores ficasse possuído. Só faltou torcer a cabeça e começar a falar com voz de exorcista e vomitar para cima de nós.
No silêncio da sessão de cinema, mais ou menos a meio do filme, eis que uma criatura do demo, totalmente possuída por um espírito maligno, grita em alto e bom som: "O sapateado vai acabar ou não", entre uma série de coisas que já nem sei por de pé, mas à boa maneira nortenha.
O senhor pelos vistos estava bastante incomodado com algo que nem eu tive noção de estar a fazer, nem mesmo as pessoas que estavam perto de mim.
Mas pelos vistos duas filas abaixo de onde eu estava, filas estas vazias, o senhor conseguia ouvir o que mais ninguém ouviu: o meu pé a bater no chão, consequência do meu sistema nervoso, próprio de quem está a ver um filme de terror ( eu sei que não é desculpa e assumo que se estou a incomodar que seja chamada à atenção. Mas com maneiras).
Eu sou aquela pessoa que não fala durante o filme, e nem gosta que falem para mim.
Mas, talvez por hoje em dia ser tão raro ir ao cinema ( o último filme que vi foi o Avatar, em janeiro), aconteceu estar distraída e bater com o pé, sem ter dado por isso. No entanto, não era caso para tanto. O senhor podia chamar-me à atenção, mas assertivamente. A forma como o fez é que não foi de todo correta.
Contra mim falo, que tenho um namorado nortenho, e atenção que adoro o norte, e as pessoas são por norma muito simpáticas e afáveis. Mas que o pessoal do norte é muito nervoso lá isso é. Fervem em pouca água.
É por estas e por outras que eu vou cada vez menos ao cinema. Além de ser caro, ainda me habilito a sair de lá com um olho negro.
E agora vou ali só sapatear um bocadinho para espairecer.