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Coffeenando

First coffee, then the world

Coffeenando

First coffee, then the world

Journaling#6

Sandra Silva, 17.08.23

Da minha praia, a Praia da Areia Branca, avisto ao longe Peniche, terra de peixe e pescadores, sempre com o som das gaivotas de fundo.

Daqui, também vejo o cabo Carvoeiro, e o seu farol, com vista para o arquipélago das Berlengas, a ilha que me inspira.

Mais perto, mas não menos interessante, um dos sítios onde mais gosto de ir, Paimogo, com o que resta do seu forte. Um lugar enigmático, talvez por já ter tido vida antes, e estar agora abandonado. Com vestígios do que já foi em tempos um restaurante, com vista para o mar, e uma casas junto à praia, à beira mar, que terão sido de homens do mar, pescadores. Na rampa que dá para a àgua tem esculpida a imagem já desgastada pelo tempo e mar, do Nobel da Literatura português, José Saramago.

Falar de Paimogo abriu-me o apetite, talvez vá ali à Lourinhã, à Casa das Areias Brancas, beber um café acompanhado de um Paimogo.

 

Journaling#5

Sandra Silva, 17.08.23

Estes dias de sol e mar são tão relaxantes como cansativos.

O sol que queima o corpo, também o amolece. O corpo cheio de sal e de sol fica moído e dorido de estar deitado na areia.

O sol queima a pele, alora os cabelos. O sal e o protetor enalam na pele, o cheiro do mar e da praia.

Pessoas vão e veem, chapéus de sol, tapa-ventos. Há quem jogue à bola, há quem prefira as raquetes. Ouvem-se os gritos das crianças felizes, que fazem castelos na areia.

O vento teima em aparecer, mas não trás areia. Esta areia é grossa, da que se agarra à pele.

O sol ainda está alto, e há quem fique até ele se pôr.

Mais um dia de praia, com o mar sempre à vista, sem cansar. A ilha que nem sempre está visível, está agora reluzente no meio do mar.

Amanhã é mais um dia, de certo não igual a este, mas este já foi preenchido, e que bem que foi.

Berlenga Grande

Sandra Silva, 12.08.23

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Da areia, olho para a ilha, no meio do mar. A ilha que me encanta com o seu farol. É inspirador olhar o mar, mas é ainda mais inspirador poder da terra, ver uma ilha no mar. 

As gaivotas que sobrevoam a imensidão do azul do mar e que vão pousar à ilha. Que fazem da ilha a sua casa, em momento de repouso. Que dão vida à ilha. 

Junto à ilha, ao largo no mar, avisto os barcos, que pescam a sardinha de Peniche. Barcos esses que se vêem à noite, e que parecem faróis no meio do mar, com as suas luzes a piscar.

Mar bravo este que me inspira, mar de ondas revoltantes, cheias de espuma e de sal. Que traz nas suas ondas surfistas o ano inteiro, até à sua areia branca, nesta minha praia, a Praia da Areia Branca.

Segredo maldito, em maldita hora

Sandra Silva, 02.08.23

Corria o dia de ontem, mais um dia de férias, nesta primeira semana, em que rumei a norte.

Numa simples ida ao cinema com a família do meu namorado, para uma sessão de filme de terror, Cobwed - Segredo Maldito, nada previa que um dos espectadores ficasse possuído. Só faltou torcer a cabeça e começar a falar com voz de exorcista e vomitar para cima de nós.

No silêncio da sessão de cinema, mais ou menos a meio do filme, eis que uma criatura do demo, totalmente possuída por um espírito maligno, grita em alto e bom som: "O sapateado vai acabar ou não", entre uma série de coisas que já nem sei por de pé, mas à boa maneira nortenha.

O senhor pelos vistos estava bastante incomodado com algo que nem eu tive noção de estar a fazer, nem mesmo as pessoas que estavam perto de mim.

Mas pelos vistos duas filas abaixo de onde eu estava, filas estas vazias, o senhor conseguia ouvir o que mais ninguém ouviu: o meu pé a bater no chão, consequência do meu sistema nervoso, próprio de quem está a ver um filme de terror ( eu sei que não é desculpa e assumo que se estou a incomodar que seja chamada à atenção. Mas com maneiras).

Eu sou aquela pessoa que não fala durante o filme, e nem gosta que falem para mim.

Mas, talvez por hoje em dia ser tão raro ir ao cinema ( o último filme que vi foi o Avatar, em janeiro), aconteceu estar distraída e bater com o pé, sem ter dado por isso. No entanto, não era caso para tanto. O senhor podia chamar-me à atenção, mas assertivamente. A forma como o fez é que não foi de todo correta.

Contra mim falo, que tenho um namorado nortenho, e atenção que adoro o norte, e as pessoas são por norma muito simpáticas e afáveis. Mas que o pessoal do norte é muito nervoso lá isso é. Fervem em pouca água.

É por estas e por outras que eu vou cada vez menos ao cinema. Além de ser caro, ainda me habilito a sair de lá com um olho negro.

E agora vou ali só sapatear um bocadinho para espairecer.