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Coffeenando

First coffee, then the world

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“As intermitências da morte”, José Saramago

Sandra Silva, 29.07.23

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A décima nona leitura do ano foi um prémio Nobel, e em português, José Saramago.

O livro escolhido, depois de ter lido "O ensaio sobre a cegueira", que foi só um dos meus livros preferidos até hoje, foi "As intermitências da morte".

Este era um livro que já queria ler há muito, pela temática do livro, um assunto que por vezes é encarado como tabu. Ninguém gosta de falar da morte, ninguém quer morrer.

O livro começa com a seguinte frase "No dia seguinte ninguém morreu".

Apesar do livro falar de um tema sensível que é a morte, na história contada por Saramago, as pessoas deixam de morrer. O que aparentemente pode parecer espectacular, pois todos nós queremos viver para sempre, torna-se um caos. Afinal, se deixássemos de morrer não ia ser assim tão espectacular. O livro retrata as consequências disso mesmo. A falência das agências funerárias. O caos nos hospitais e serviços ligados à saúde. As pessoas ficavam em estado quase que terminal mas não morrerem, porque não podem. O que se tornou num desespero não só para as suas famílias como para os serviços de saúde.

É um livro que nos faz reflectir não só sobre a morte, mas também sobre as vida, o sentido da mesma, no fundo, a nossa existência.

Este foi um livro que não gostei tanto como "O ensaio sobre a cegueira". A fasquia com este livro ficou muito alta, e será difícil de superar.

No entanto, Saramago é um autor que pretendo ir lendo ao longo da vida, conhecer melhor a sua obra.

Na lista já tenho mais uns quantos livros, entre eles, "O homem duplicado", e "Levantado do chão".

 

"O meu nome é Lucy Barton", Elizabeth Strout

Sandra Silva, 28.07.23

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A décima oitava leitura do ano é o segundo livro que leio da autora, Elizabeth Strout.

O primeio livro que li foi Olive Kitteridge, como gostei da escrita, comprei "O meu nome é Lucy Barton", no Dia Mundial do Livro.

Este é o primeiro livro, de vários, sobre a vida de Lucy Barton. Os seguintes são: "Tudo é possíivel", "Oh William", e "Lucy à beira-mar".

Quando li a sinopse do livro fiquei fascinada pelo facto da personagem da Lucy ser escritora. Como adoro ler livros, em que a personagem principal, vive em volta dos livros, ou da escrita, é meio caminho andado para me levar a ler o livro.

No entanto, o livro não fala muito desta realidade da protagonista, com muita pena minha.

É um livro que conta a história entre mãe e filha, das distância entre pessoas que nos são tão próximas, mas que por vezes estão tão distantes e ausentes nas nossas vidas.

Em como por vezes é preciso acontecer alguma coisa para que as pessoas se aproximem.

A personagem principal, a Lucy, vê-se numa cama de hospital, por algum tempo, deviado a um problema de saúde, que apesar de, inicialmente, parecer simples, teve algumas complicações. E com isso, vê-se surpreendida pela visita da sua mãe, com quem não convive há uns bons anos, e que permanece no quarto, a seu lado, durante dias. Onde falam como se não tivessem estado ausentes uma da outra, durante tanto tempo. Com conversas circunstanciais, ou assuntos que as levam para o passado de Lucy. Um passado nada fácil, que ainda a atormenta.

Um livro bem pequeno, com cento e tal páginas mas que nos faz refletir sobre vários aspectos da vida e do modo como lidamos com as pessoas.

"A minha avó pede desculpa", Fredrik Backman

Sandra Silva, 28.07.23

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A décima sétima leitura do ano foi um livro que não me encantou, com muita pena minha, pois estava bastante empolgada para o ler.

É um autor que, à semelhança de outros que já li, tinha ouvido falar bastante bem. Tanto que um dos livros foi adaptado ao cinema, com o ator Tom Hanks, em "Um homem chamado OTTO", que na versão livro é "Um homem chamado Ove".

A capa do livro é super apelativa, em tons pastel, com uma menina e um cão, em estilo desenho animado.

Este livro foi mais uma aquisição da Feira do Livro de Lisboa, deste ano, em promoção, como livro do dia, na Porto Editora.

Quando começei a ler o livro gostei bastante da escrita, e do imaginário, mas conforme ia avançando, fui-me perdendo na história, ao ponto de perder a vontade de ler. Como nunca desisti de um livro, insisti na leitura até ao final, sob grande enfado.

Apanhei a história no geral, mas houve personagens que nem sei bem o seu papel na história. Lia mas não interiorizava.

Não posso dizer que não gostei do livro, porque das partes que interiorizei, aquelas em que me consegui focar na leitura, eu gostei bastante do imaginário. E gostei bastante de uma personagem que vem dar título a um outro livro do autor que pretendo ler.

Digamos que não tenho estado com grande estado de espírito para leituras, e as que tenho lido, ultimamente, desde que vim de férias, em junho, têm sido leituras que não têm ficado na memória, e feito do momento de leitura um momento prazeroso.

Estou a precisar de férias, definitivamente. A precisar de entrar num livro e senti-lo na totalidade.

No entanto, Fredrik Backman, não é para por de lado, e será um autor a que pretendo voltar, com o livro "Britt-Marie esteve aqui". A tal personagem que gostei em "A minha avó pede desculpa".

"A minha avó pede desculpa", tal como o título denuncia, conta a história de uma avó que vem pedir desculpa a uma série de pessoas, pela forma como se portou com elas em vida. E uma vez que morre, deixa à neta, com quem tem uma relação muito especial, a tarefa de entregar cartas às pessoas a quem pretende pedir desculpa. Esta avó que era uma avó especial para a neta de oito anos, que tinha na avó a sua única amiga, é uma avó, completamente, louca varrida, que nem sempre teve a melhor conduta com os seus semelhantes. Tanto a avó, como a neta, a mãe da neta, o padrasto e os vizinhos da avó habitam num prédio especial, com personagens que têm tanto de especiais, como de estranhas.

Um livro que nos remete, também, para histórias de encantar, e um imagnário mágico, com criaturas estranhas.

Dei apenas três estrelas a este livro, com a esperança, de aumentar num futuro livro do autor.

 

 

"Ao fechar a porta", B. A. Paris

Sandra Silva, 27.07.23

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A décima sexta leitura do ano foi WOW, que livro é este!!!

Não conhecia a autora, foi um livro que descobri ao consultar os livros do dia, na página da feira do livro. Estava com promoção de 50% e a sinopse paraceu-me bastante apelativa.

Então, na minha ida à Feira do Livro de Lisboa, deste ano, foi um dos sete livros que trouxe para casa. Eu e mais pessoas, pois lembro-me de passar por uma rapariga que tinha o livro na mão. O que aumentou ainda mais a minha curiosidade sobre o livro.

Depois ao partilhar na minha página do instagram com o mesmo nome do blog, Coffeenando, uma amiga do meu irmão mais velho, a Raquel, que é das pessoas mais livrólicas que conheço, disse-me maravilhas do livro. E só me disse isto "George Clooney". E eu fiquei à nora. O que é que o Clooney tem a ver com um livro???? Mas mal começei a ler o livro percebi a ligação e OMG!!!

Não bastasse tudo isto, fui ao Goodreads e li comentários maravilhosos sobre o livro, em que alguém dizia que já tinha lido o livro há cinco anos e que ainda hoje o livro estava bem presente, no sentido de ter marcado.

É sem dúvida um livro marcante. Que tem tão de "psico" que é impossíel ficar indiferente ao mesmo.

A história do livro é em volta de uma relação tóxica, abusiva, e de como aquele que parecia o príncipe encantado, é afinal, um verdadeiro monstro, um psicopata, um manipulador. A personagem principal, a sua namorada, é tão mas tão maltratada que vamos ganhando ódio a este psicopata, ao ponto de lhe desejar a morte. 

Ela não pode estar com ninguém, não pode ir à rua sozinha, sem ele, não tem acesso a TV, internet, nada de nada, vive num quarto sem nada, numa casa com grades nas janelas, não tem telemóvel, passa fome... É um sofrimento constante, algo que pensamos que só mesmo em livros, mas o pior é que não.

Gostei tanto do livro, que fui logo fazer uma pesquisa de mais livros da autora e descobri que na biblioteca da minha área de residência tem dois, "À beira do colapso" e "O dilema", que já estão na minha lista.

Dei cinco estrelas a este livro e estou superior desejosa de ler os outros da autora. Tenho é de baixar a minha tbr (To be read) primeiro.

 

"Terra americana", Jeanine Cummins

Sandra Silva, 26.07.23

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A décima quinta leitura do ano foi "Terra americana", de Jeanine Cummins.

Escolhi este livro, porque estava gratuito na aplicação do KOBO PLUS. Além disso, já tinha ouvido falar do livro, e as opiniões eram bastante positivas.

Apesar das opiniões, como disse, serem bastante positivas, o livro, é também, controverso, dado que foi escrito por uma escritora americana, e fala de uma realidade no país vizinho, o México, a realidade dos migrantes mexicanos.

A história é bastante triste, até ao final. É uma história que nos faz estar em constante sobressalto, com as personagens principais, mãe e filho. Somos levados, pelo medo, que assalta estes dois personagens, ao longo da história, e das peripécias e perigos que enfrentam ao longo de toda a história.

Este livro retrata a realidade crua dos migrantes mexicanos, através de uma família que após sofrer um massacre, numa festa de família, por parte de narcotraficantes, na qual sobrevivem apenas, mãe e filho, tentam escapar aos assassinos da sua familia, e chegar aos EUA.

O livro está cheio de perigos, como por exemplo os protagonistas terem de saltar de um comboio em andamento. Imaginar uma criança de 8 anos a fazer tal proeza, é surreal.

O livro está tão bem escrito que quase  conseguimos sentir na pele o que os protagnistas passam. É como se estivessemos, ali, ao lado deles, a presenciar tudo. O livro é super stressante, angustiante, cria-nos uma ansiedade constante, pois só queremos que mãe e filho consigam chegar ao destino, sãos e salvos.

Ao ler este livro, dava por mim a comparar com uma série que vi na Apple TV, A Costa do Mosquito, e que também retrata parte desta realidade, se bem que ao contrário, pois era uma familia americana a fugir para o México. No entanto, em muitas situações do livro revia o que as personagens da série tiveram de passar para chegar ao México, e onde também, se cruzaram com migrantes mexicanos a fazer a perigosa travessia.

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"A rapariga do lago silencioso", Leslie Wolfe

Sandra Silva, 25.07.23

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A décima quarta leitura do ano foi um livro de Leslie Wolfe, autora de quem já tinha lido "A rapariga sem nome".

Os livros desta autora começam todos por "A rapariga...", uma vez que os livros giram em torno de homicídios a raparigas.

A escritora já tem dez livros editados em Portugal, todos pela Alma dos Livros.

Dos dez livros, tenho quatro: "A rapariga sem nome", "A rapariga que sobreviveu", "A rapariga que desapareceu" e "A rapariga do lago silencioso". Pretendo completar a coleção da autora, com toda a certeza. Sou, absolutamente, fã da sua escrita, super acessível, com suspense até ao fim, e que nos fazem querer ler sempre mais uma página.

"A Rapariga do lago silencioso", foi-me oferecido pelo meu irmão mais velho, que sabe o quanto adoro thrillers, e por isso tornou-se um livro especial. Melhor que comprar livros, é saberem que gostamos tanto de ler que passam a alimentar esse nosso gosto.

"A Rapariga do lago silencioso" dá início a uma nova série, pois ao contrário dos restantes livros da autora, surge uma nova agente do FBI,  Kay Sharp, que vem substituir Tess Winnet, agente do FBI dos livros anteriores.

 

"Três", Valérie Perrin

Sandra Silva, 14.07.23

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A décima terceira leitura do ano foi um livro de uma autora que já se tornou preferida, "Três", de Valérie Perrin.

Da autora já tinha lido, no início deste ano, "A breve vida das flores", que foi, até ao momento, o meu livro preferido das leituras deste ano. Se bem que "Três", não ficou nada atrás, tanto que lhe dei cinco estrelas.

Neste livro que fala de um tema tão sensível e controverso, a amizade, Valérie Perrin, consegue com a sua escrita, fazer-nos divagar por entre as páginas do livro, de uma maneira sublime, como sempre.

Esta é a história de três amigos, daí o título do livro, e da sua amizade ao longo dos anos. Uma história que nos faz reflectir sobre, como a passagem do tempo se reflecte nesses laços, criados em tempos.

Quantos de nós tivemos aquelas amizades de infância e adolescência, e com a passagem do tempo, aqueles que eram os melhores amigos tornaram-se quase uns estranhos. Ou então, aquelas amizades de infância, que apesar da distância do dia-a-dia, permanecem até hoje nas nossas vidas.

Este livro fala da amizade destes três jovens, que se tornaram adultos e de um acontecimento do passado e da relação deste com a sua história de amizade.

Valérie Perrin é uma escritora que irei, sem dúvida, acompanhar o trabalho, e continuar a ler, com a certeza que não me irá desiludir.